Ricky Arruda e o retorno da fotografia analógica nos casamentos de luxo
O fotógrafo Ricky Arruda resgata a fotografia 35mm em casamentos de luxo com seu projeto Alchimia, unindo digital e analógico. Essa abordagem traz uma nova estética e profundidade às memórias dos noivos.

O fotógrafo reflete sobre o retorno do filme 35mm aos casamentos de luxo e apresenta o projeto Alchimia, que une a precisão do digital à sensibilidade da fotografia analógica.
Em um tempo em que as imagens são produzidas, compartilhadas e esquecidas em poucos segundos, Ricky Arruda decidiu olhar para trás para encontrar uma nova forma de seguir adiante. Depois de décadas acompanhando a evolução da fotografia digital e consolidando sua trajetória no mercado de casamentos de luxo, o fotógrafo passou a revisitar suas origens no filme 35mm, em busca de uma experiência mais pausada, física e sensorial.
Para Ricky, esse retorno não nasce da nostalgia, mas de uma inquietação artística. A fotografia analógica, segundo ele, carrega um ritmo próprio. O avanço mecânico do filme, o número limitado de poses e a ausência de visualização imediata fazem com que cada clique seja pensado com mais presença. Desse modo, o ato de fotografar deixa de responder apenas à rapidez do acontecimento e passa a exigir intenção.
A relação de Ricky com a imagem começou antes dos sensores digitais. Sua formação atravessou a era da química, dos negativos e dos laboratórios, até chegar ao universo digital, onde desenvolveu técnica, precisão e uma leitura apurada da luz. Ao lado da esposa e sócia, Anna Quast, ele construiu uma carreira reconhecida em casamentos de alto padrão. Ainda assim, em meio ao excesso de imagens instantâneas, passou a sentir falta do que chama de “pausa poética”.

O casal se beija sob um arco floral vibrante no final do corredor | Foto: Ricky Arruda e Anna Quast
Do sensor à química
Na visão do fotógrafo, o digital trouxe segurança, nitidez e a possibilidade de registrar cada segundo de uma celebração. Já o filme oferece outra camada de percepção. Ele acrescenta atmosfera, textura e uma sensação de verdade que vem da própria limitação do processo. Afinal, quando não há tela para conferir o resultado, o fotógrafo precisa confiar no olhar, na luz e no instante.
Essa mudança de ritmo interfere diretamente na forma de fotografar. Com uma câmera analógica em mãos, Ricky conta que passa a respirar antes do clique, observar com mais calma e antecipar movimentos. O limite de um rolo de filme exige atenção total. Assim, a fotografia deixa de ser apenas o registro do que está diante da lente e se aproxima da tentativa de eternizar o que se sente naquele momento.
Nesse sentido, o resgate do analógico não representa um retrocesso técnico. Pelo contrário, aparece como uma escolha artística dentro de um mercado cada vez mais acelerado. De acordo com Ricky, fotografar em filme muda o tempo, o gesto e a intenção. Cada imagem precisa ser pensada antes de existir, o que dá ao processo uma dimensão de cuidado.

O que é o negativo na fotografia
Um dos aspectos que mais interessam ao fotógrafo nessa nova fase é a permanência do negativo original – que é o filme físico revelado após o clique e que funciona como a matriz da imagem. Em uma era marcada por links temporários, nuvens digitais e arquivos que dependem de plataformas, o negativo surge como uma matriz física da imagem. Ele pode ser guardado, tocado e preservado ao longo do tempo, sem depender de baterias, internet ou atualizações de software.
Para Ricky, essa materialidade devolve à fotografia uma força quase documental. O negativo é a prova de que determinada luz existiu, em um determinado instante, diante de pessoas reais. Em casamentos, onde a memória atravessa gerações, esse aspecto ganha ainda mais significado.
A experiência se completa também no álbum. A proposta une uma estética vintage a um acabamento contemporâneo, com imagens ampliadas em papel fotográfico ou de algodão e coladas manualmente em cada folha. Dessa forma, o resultado final reforça a ideia de permanência e transforma a fotografia em objeto, não apenas em arquivo.

Giovanna Lancelloti em frente a um arco floral | Foto: Ricky Arruda e Anna Quast

Noiva carrega um buquê de callas brancas, emoldurada pela luz tropical | Foto: Ricky Arruda e Anna Quast
Alchimia e os dois olhares
Esse movimento culminou no projeto ALCHIMIA | L’essenza dei due sguardi, criado dentro do estúdio de Ricky Arruda e Anna Quast. A proposta parte da união entre dois olhares e dois suportes. Enquanto Anna conduz a narrativa digital com precisão, dinamismo e segurança, Ricky entra com o olhar contemplativo da fotografia analógica.
O nome do projeto traduz a intenção da dupla. Alchimia propõe uma fusão entre técnica e sensibilidade, cobertura completa e pausa poética, rapidez contemporânea e tempo artesanal. Para os noivos, essa união representa a possibilidade de ter uma narrativa ampla do casamento, sem abrir mão da atmosfera particular que o filme pode oferecer.
Nesse encontro, o digital garante que cada momento seja registrado com precisão. Ao mesmo tempo, o analógico abre espaço para imagens menos imediatas, construídas a partir de espera, observação e intenção. A cobertura, portanto, não se apoia em uma escolha entre passado e presente, mas na convivência entre os dois.
Ao defender esse caminho, Ricky Arruda também propõe uma reflexão sobre o próprio conceito de luxo nos casamentos. Em vez de associá-lo apenas ao excesso ou à velocidade da entrega, o fotógrafo aponta para a capacidade de desacelerar, viver o instante e preservar memórias com profundidade.

Noiva radiante, erguida nos braços de amigos na pista de dança | Foto: Ricky Arruda e Anna Quast
O que isso significa para você
A tendência de resgatar a fotografia analógica pode impactar a forma como os profissionais do setor abordam a captura de momentos em casamentos, oferecendo uma estética diferenciada e uma experiência mais intencional. Para os noivos, isso significa ter registros que vão além do imediato, valorizando a profundidade emocional das imagens.
